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Guia · Terra e documentos

Georreferenciamento: quando é obrigatório

A partir de 21 de outubro de 2029, o cartório só registra venda, divisão, unificação ou qualquer transferência de imóvel rural, de qualquer tamanho, com o georreferenciamento certificado no SIGEF, o sistema do INCRA. O Decreto 12.689/2025 acabou com os prazos por tamanho. Até lá, banco e comprador já costumam pedir a certificação.

Atualizado em 4 min de leitura

O georreferenciamento mede cada ponto da divisa, inclusive pelo córrego, e o INCRA certifica o perímetro no SIGEF.
  • Curvas de nível (5 m)
  • Limite do imóvel
  • Vértices do limite
Imagem de satélite real do Tocantins (INPE). Limite do imóvel fictício; camadas ilustrativas.

O novo prazo: 21 de outubro de 2029

Durante anos, o Decreto 4.449/2002 escalonou a exigência pelo tamanho do imóvel, e os imóveis menores ainda tinham prazo correndo. O Decreto 12.689, de 21 de outubro de 2025, reescreveu o art. 10 desse decreto: revogou a escala por área e fixou uma data única.

A partir de 21 de outubro de 2029, a identificação do imóvel certificada no SIGEF passa a ser exigida para registrar:

  • a venda e qualquer outra transferência do imóvel rural;
  • o desmembramento e o parcelamento, quando a terra é dividida;
  • a unificação (remembramento), quando dois ou mais imóveis viram um só.

A regra vale para imóveis de qualquer tamanho.

Se você leu que o prazo “venceu em novembro de 2025”, a informação está desatualizada: aquele prazo foi revogado antes de vencer. Como há leituras diferentes sobre o que exatamente ficou para 2029, confirme no cartório da comarca antes de marcar a escritura.

O que a certificação garante

Georreferenciar um imóvel rural é medir a divisa e descrever cada ponto dela (vértice) com coordenadas oficiais. O levantamento é feito em campo, com receptores de satélite de precisão, por um profissional credenciado no INCRA, que assina a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

O perímetro medido vai para o SIGEF, o Sistema de Gestão Fundiária do INCRA. A certificação confirma que ele não se sobrepõe a outro já certificado e que o trabalho segue as normas técnicas. Ela não reconhece a propriedade nem garante, sozinha, que a divisa esteja exata (Decreto 4.449/2002, art. 9º). Com a certificação, o cartório registra a nova descrição na matrícula.

Por que fazer antes de 2029

A data de 2029 vale para o registro no cartório. Na prática, o georreferenciamento já é pedido antes disso:

  • no desmembramento, o cartório pode pedir o memorial georreferenciado para descrever as partes;
  • na venda, compradores e bancos costumam pedir a certificação para aceitar o imóvel ou dar crédito com a terra em garantia;
  • na divisa, quando a matrícula descreve uma área ou um limite diferente do que existe no campo, a medição mostra o que você tem de fato;
  • no CAR, um limite medido evita sobreposição com o vizinho e o risco de o cadastro carregar um problema que não é seu.

Quem deixa para a última hora corre o risco de descobrir uma sobreposição com o vizinho quando a venda já está marcada, e resolver isso leva tempo.

Como funciona a certificação

  1. Documentos. Matrícula atualizada, memoriais antigos, mapas e o contato dos vizinhos de divisa, se você tiver. Antes de ir a campo, o profissional confere no SIGEF o que já está certificado em volta.
  2. Medição em campo. Levantamento dos pontos da divisa com receptores de satélite de precisão, com apoio de drone quando ajuda a documentar cercas, estradas e cursos d’água.
  3. Planta e memorial. Planta, memorial descritivo e ART, e o envio ao SIGEF, com a conferência de sobreposições antes.
  4. Certificação e registro. O INCRA certifica o perímetro no SIGEF e o cartório registra a nova descrição na matrícula.

Desde a Lei 13.838/2019, não é preciso a assinatura dos vizinhos de divisa (os confrontantes) para registrar o georreferenciamento: basta você declarar que respeitou os limites. Se a medição muda o perímetro ou a área, o cartório trata como retificação, com a assinatura ou a notificação dos confrontantes.

Onde a Sellos entra

A Sellos faz o levantamento em campo com equipe própria, prepara a planta e o memorial e conduz a certificação no SIGEF, conferindo antes as parcelas vizinhas para evitar surpresa. O mesmo levantamento serve para corrigir o CAR, para que o limite ambiental e o da matrícula sejam um só. Para ver onde cada cadastro entra, leia CCIR, ITR, CAR e SIGEF.

O próximo passo

Cada imóvel tem a sua história. Conte a sua e veja o caminho.

A localização do imóvel e a sua dúvida bastam para começar. A Sellos atende todo o Tocantins, com escritório em Palmas.

Dúvidas

O que mais perguntam.

O georreferenciamento foi prorrogado?

O Decreto 12.689/2025 revogou os prazos por faixa de área e fixou uma data única, 21 de outubro de 2029, para imóveis de qualquer tamanho. Para quem ainda tinha prazo correndo, foi um adiamento. Há leituras diferentes sobre o que mudou para quem já estava obrigado, então confirme no cartório antes de marcar a escritura. Muita página na internet ainda fala dos prazos antigos.

Georreferenciamento é obrigatório a partir de quantos hectares?

Pela regra nova, não existe mais faixa de área. A partir de 21 de outubro de 2029, a certificação é exigida no registro da venda, do desmembramento, do parcelamento, da unificação e de qualquer transferência de imóvel rural, de qualquer tamanho.

Precisa da assinatura dos confrontantes?

Para registrar o georreferenciamento que descreve o limite que já existe, não: a Lei 13.838/2019 dispensou a anuência dos vizinhos de divisa, e basta a declaração de quem pede de que respeitou os limites. Se a medição muda o perímetro ou a área, o cartório trata como retificação, com a assinatura ou a notificação dos confrontantes.

Como saber se o imóvel já tem georreferenciamento?

Pelo Meu Imóvel Rural, com a conta gov.br, que junta os dados do SIGEF do imóvel; e pela matrícula: se a certificação já foi registrada, a descrição do imóvel traz as coordenadas.

Quanto custa o georreferenciamento?

Depende do tamanho do imóvel, do número de pontos da divisa, do acesso, da vegetação e da situação das divisas. O valor sai na proposta, depois de conhecer o imóvel e a matrícula.

Quanto tempo demora a certificação?

O tempo de campo e de escritório depende do tamanho e do acesso. No SIGEF, a análise é eletrônica, e uma sobreposição com parcela já certificada impede a certificação até ser resolvida. Por isso a Sellos confere as parcelas vizinhas antes de enviar.